Mesmo atribuindo pouca importância à distinção entre eventos públicos e privados, grosseiramente ao mundo objetivo e subjetivo, o behaviorismo radical estabelece efetivamente outras distinções. A mais importante é a entre eventos naturais e fictícios.
· Mentalismo
O termo mentalismo é adotado por Skinner para se referir a um tipo de “explicação que não explica nada”. Os behaviorisas radicais se concentram na distinção entre explicações válidas e falsas. Para os pragmatistas James e Mach, uma explicação válida necessitava uma descrição em termos compreensíveis. Em vista disso, o behaviorismo radical busca um conjunto de termos que tornem compreensíveis um evento.
· Eventos Públicos e Privados
Eventos públicos são eventos que podem ser relatados por mais de uma pessoa. Eventos Privados são eventos que nunca podem ser relatados por mais de uma pessoa, mesmo que outras estejam presentes.
Para o behaviorista radical, a distinção entre os dois tem pouco significado, é apenas o número de pessoas que podem relatá-los, fora isso, possuem as mesmas propriedades. Eventos públicos e privados são ambos naturais.
· Eventos Naturais
Como todas as ciências, a análise comportamental lida com eventos naturais. Eventos naturais específicos que são objeto de estudo são aqueles atribuídos a organismos vivos e íntegros; e são o tipo de eventos que serão designados como simplesmente comportamento.
Eventos privados podem ser incluídos na análise do comportamento, pois a ciência requer apenas que os eventos sejam naturais.
Cosas e eventos fictícios são inobserváveis, mesmo em princípio. Não há como observar mente, desejos, personalidade ou impulsos, são todos inferências do comportamento.
· Objeções ao Mentalismo
O mentalismo é a prática de invocar ficções mentais para tentar explicar o comportamento. A noção de mente é problemática para uma ciência do comportamento porque a mente não é parte da natureza.
· Redundância: Ficções Explanatórias são Antieconômicas
Explicações mentalistas inferem uma entidade fictícia a partir do comportamento, e então afirmam que a entidade inferida é a causa do comportamento. As ficções mentais são antieconômicas porque em vez de simplificarem nossa percepção de eventos, descrevendo-os com poucos conceitos já conhecidos, tornam a questão mais complicada: reformulam a observação original, acrescentando algum conceito supérfluo e a causa invocada não tem nenhuma relação clara com os eventos observados.
A objeção dos behavioristas radicais ao mentalismo é na realidade uma objeção ao dualismo, à idéia de que dois tipos de existência, ou dois tipos de termos, referentes ao material e ao não-material, são necessários para a compreensão total do comportamento.
· Erros de Categoria
O filósofo Gilbert Ryle, achava que os termos como mente, inteligência, razão e crença, poderiam ser úteis se pudéssemos evitar usá-los de modo ilógico.
o Ryle e a Hipótese Paramecânica
A hipótese paramecânica é a idéia de que s termos que são logicamente rótulos de categorias referem-se a coisas fantasmagóricas, em algum espaço fantasmagórico (a mente) e que estas quimeras, de alguma forma, causam o comportamento mecanicamente. É a mesma idéia que Skineer denominava de mentalismo.
o O Behaviorismo Molar de Rachlin
Howard Rachlin foi um behaviorista contemporâneo que levou o argumento de Ryle um passo adiante. Como a única unidade de comportamento bem compreendida era o reflexo, o discurso sobre o comportamento tendia a ser fraseado em termos de estímulo e reposta, eventos instantâneos; e a relação mais importante entre eventos era considerada sua proximidade momentânea no tempo, a contigüidade. Para Rachlin, a ocorrência ou não de eventos privados torna-se uma questão de menor importância, pois sua perspectiva de análise não enfatiza eventos momentâneos e ações isoladas em geral, seja ela pública ou privada.
· Eventos Privados
Para Skinner, os eventos privados são naturais, e , sob todos os aspectos, semelhantes a eventos públicos.
o Comportamento Privado
Eventos privados são atribuídos à pessoa e não ao ambiente, portanto eles são mais bem compreendidos como eventos comportamentais, que de modo geral se dividem em eventos de pensar e eventos de sentir. Pensar é falar privadamente e eventos de sentir são mais bem compreendidos quando contratastados com a concepção usual de sensação e percepção. Para o behaviorista radical, sentir e perceber são eventos comportamentais, são ações.
· Autoconhecimento e Consciência
Muitos critérios diferentes já foram propostos para julgar a consciência, mas não há ainda nenhum consenso sobre o que significa uma pessoa ou um ato ser consciente. Ryle, Rachlin compartilham com Skinner, a noção geral de que o autoconhecimento pode ser compreendido como um tipo de comportamento, mas como consideram os atos como exemplos de categorias mais amplas de comportamento, eles atribuem aos atos privados um papel menos importante no autoconhecimento.
Daiana Cristina Rauber - Teorias Comportamentais e Cognitivistas. II Período de Psicologia.
Resumo de Baum. Público, privado, natural e fictício. (Cap. 3. – p. 47 – 66).
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