Burrhus Frederic Skinner (1904-1990), nascido em Susquehanna, Pensilvânia, foi um dos mais renomados Behavioristas Radicais. Foi também destaque no campo do comportamentalismo e da psicologia a partir dos anos 50. Acredita-se que os sistemas de psicologia desenvolvidos por ele foram, em diversas situações, um resultado de reforços do passado e fatores ambientais. (SCHULTZ, DP; SCHULTZ, S. E; 2001).
O Behaviorismo segundo B. F. SKINNER (2006) é na realidade a filosofia da ciência do comportamento humano. Que se propõe a estudar o comportamento de organismos humanos ou não, a qual ainda sofre críticas em boa parte por seu passado, e por leigos acreditarem que, por exemplo, os behavioristas ignoram os estados mentais, consciência e sentimentos.
Desmembrando o termo Behaviorismo Radical temos: do inglês, behavior (comportamento) que é o objeto de estudo desta vertente, entendido como a relação entre o indivíduo e seu ambiente físico, químico ou social. E radical, que indica as técnicas utilizadas para compreensão do objeto estudado. Estas são objetivas, concretas, experimentais e não utilizam de estados mentais como causa iniciadora do comportamento, mas os vê como estágio inicial do próprio comportamento.
O Behaviorismo Radical também é conhecido como contemporâneo, e baseia-se no pragmatismo. Outra característica é a de não fazer distinção entre os mundos subjetivo e objetivo, tendo um enfoque nos conceitos e termos ao invés de métodos, termos estes que definem o comportamento além de nos ajudar a compreendê-los. (BAUM, W. M. 2006)
De acordo com SCHULTZ e SCHULTZ (2001) o que Skinner propunha era uma espécie de melhoramento ou oposição do que Watson construiu com o seu Behaviorismo Metodológico. Para tanto, Skinner utilizou o método indutivo, diminuindo a teorização e dando mais atenção a uma forma positivista, ou seja, a partir de dados experimentais passava a elaborar generalizações conforme os resultados de seu empirismo.
Este método era utilizado por Skinner, porque ansiava por uma teoria geral do comportamento humano que tenha dados comprobatórios fidedignos. E defende também que as divergências de explicações do comportamento deveriam ser resolvidas na base de evidências irrefutáveis e não com base em especulações. (SCHULTZ e SCHULTZ, 2001)
A familiaridade com o comportamento não define, segundo SKINNER (1998), a simplicidade de seu entendimento. Pois a filosofia da ciência do comportamento humano exige cautela e critérios para não ser precipitada e poder expressar com um método científico a complexidade do comportamento.
O comportamento é uma matéria difícil, não porque seja inacessível, mas porque é extremamente complexo. Desde que é um processo, e não uma coisa, não pode ser facilmente imobilizado para observação. É mutável, fluido e evanescente, e, por esta razão faz grandes exigências técnicas da engenhosidade e energia do cientista. Contudo, não há nada essencialmente insolúvel nos problemas que surgem deste fato. (SKINNER, B. F, 1998, p. 16).
A sua forma de trabalho era de descrever e não explicar comportamentos, focando o estudo às respostas. Para Skinner, a investigação científica era de “estabelecer relacionamentos funcionais entre as condições de estímulo controladas pelo experimentador e a resposta subseqüente do organismo.” (SCHULTZ e SCHULTZ, 2001, p. 280).
Existem quatro conceitos fundamentais a se saber no Behaviorismo Radical, são eles: Comportamento, Ambiente, Resposta e Estímulo. Comportamento se define por relações entre atividades do organismo denominadas respostas e eventos ambientais chamados de estímulos, ou seja, relação entre estímulo e resposta. Ambiente inclui não só o local com o qual o sujeito interage como também todos os objetos e seres vivos incluídos nessa interação e o próprio organismo, entendido como situação posterior ao responder. Resposta é o termo utilizado para definição de comportamentos operantes. E Estímulo são eventos do ambiente que influenciam no comportamento, podem ser públicos (descritos por mais de duas pessoas) ou privados (descritos apenas por uma pessoa).
Referências
BAUM, W. M. Compreender o Behaviorismo: Comportamento, Cultura e Evolução. Porto Alegre: Artmed, 2006.
SCHULTZ, D. P; SCHULTZ, S. E. História da Psicologia Moderna. São Paulo: Cultrix, 2001. 14 ed.
SKINNER, B. F. Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes. 1998. 10 ed.
SKINNER, B. F. Questões Recentes na Análise Comportamental. São Paulo: Papirus Editora, 1995. 2 ed.
SKINNER, B. F. Sobre o Behaviorismo. São Paulo: Cultrix, 2006. 10 ed.
Daiana Cristina Rauber - História da Psicologia. II Período de Psicologia.
Produzido junto com: Jéssica Utyama de Carvalho e Thuane Michelin Pinto
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