Adquirir controle

Não tenho tempo à perder esperando por um bom momento. Então, assim mesmo, do jeito que estou, vou procurar alguma maneira de propiciar condições de responder o que vivo perguntando, e viver respondendo. Ficar pronta para em mim, e na totalidade, entender as relações de tantas coisas.
Percebi o mundo infectado por ilusões. - Ora, estão tentando me enganar, me alienar, ou minha interpretação é muito fantasiosa? - E ao redor desse mundo, percebi cegos despretensiosos, mas propositais. As mesmas perguntas universais cercando minha mente e multiplicando-se desenfreadamente. Quase confundo imaginação com realidade. Afinal, será que existe alguma diferença? Ou será que já confundi essa esperança e crença de que as ligações são maiores e menos previsíveis do que nossa pequena filosofia supõe e insiste em fragmentar.
Seguindo o conselho: "Look your back in the mirror... and see the true..." Eu, sozinha comigo mesma decifro as linguagens pelas quais me compreendo. Justamente porque interiorizar a visão é importante para exteriorizá-la amplamente. Procurar o mínimo que está escondido no segredo de cada linha de expressão. E, poéticamente olhar a grandiosidade do céu, imaginando a infinidade de dimensões e mundos espalhados pelos espaços que ainda não alcanço. Alcançá-los.
Conectar pensamentos e encarar que quero uma alternativa, um pressuposto não imutável, mas confiável. Talvez eu tenha aprendido, desaprendido, aprendido. Vou tirar meus óculos. Meus pés formigam, mas, não sei se quero mudar de posição. Quer saber? Cada dia destruirei uma conformidade, antes que elas me destruam. Momentos difíceis em que é melhor "não deixar as lágrimas desaguarem em você, porque esta é a hora de adquirir controle".
Eu quero escrever e com poucas linhas conectar o que muitos pensamentos têm a dizer. Essa inspiração vem depois de um reflexo. A luz incide sobre qualquer coisa, mas os meios são refringentes, e os raios luminosos desviam de direção. Há chances de você ver. Há milhares de possibilidades. Possibilidades assimétricas. Injustas, confundíveis. Embaraçadas, estonteantes.
Preciso estar preparada, pronta para ver o que costuma passar despercebido. E os pensamentos que se disperçam? Óh, que crueldade! Precisamos tanto deles e com simples distrações eles se esvaem. E nós, perdemos a energia útil para o pensamento produtivo.
Não tenho tempo à perder esperando por um bom momento. Então, assim mesmo, do jeito que estou, vou procurar o jeito de propiciar condições de responder o que vivo perguntando, e viver respondendo. Ficar pronta para em mim, e na totalidade, entender as relações de tantas coisas. Está na hora de aplicar conhecimentos.
E perder essa mania de publicar postagens grandes.

Teatro social

As manipulações são discretas, e praticamente impercebíveis ao elenco deste grande teatro.
É de se esperar que humanos, pobres humanos, vivam a negar a eles mesmos, seja para se afastarem dos tão menosprezados seres com quem dividimos o planeta, ou para aparentar com o pseudo-modelo de pessoa ideal.
Há muita sujeira até se chegar a verdade livre dos simbolismos e conceitos tendenciosos da sociedade que não utiliza o cérebro, mas nádegas; enquanto se considera racional e dominante de seus instintos. Ou, da "arte" de disfarçar instintos, com virtudes e regras comportamentais tão desprezíveis quanto o resto da prisão que constroem em volta de si e dos outros, enclausurando idéias e ideais, alegando estar em busca pela liberdade.
A alienação chegou em tal estágio, que opiniões próprias, dúvidas e porquês resumem-se em crises de uma hora. Parece um crime querer entender o ser e o todo... Mas, azar de quem não tenta. A pena será pagar com uma vida previsível e tão inútil quanto a falta de qualquer consideração, mesmo que efêmera.
Não aceito que com âmagos tão subjetivos e singulares, (in)conscientes tão diferentes individualmente, tantas pessoas consigam aderir a massificação.
Pode até ser um sonho. Mas, ao sonhar, mesmo que involuntáriamente, desobedecemos leis de física e espaço, desprezamos o tempo... Outro sonho! Simplesmente não quero acordar e como outros humanos, sujeitar-me a ser acostumada com a venda de personagens e ingressos para o grande teatro social.

Nota sobre doações

Um tanto quanto desconfiada sobre o altruísmo dos humanos, pensei:
Os que não tem coragem de abandonar sua vida míope e entranhada de falsos valores capitalistas, consideram suficiente para saciar sua dívida existencial, as pequenas ajudas aos desprendidos de riquezas materiais, seja por opção, ou não. Nada contra, pelo contrário: acredito que o bem estar coletivo deve ser uma meta para conseguir exercer a vida feita de atos justificáveis. Mesmo assim, há coisas muito mais profundas a serem transformadas nos íntimos para que se possa considerar "feita a sua parte".

Choques artísticos e filosóficos entrelaçados

O corpo parece ser uma prisão, da qual a filosofia, nos faz escapar - e não escolher entre uma natureza e outra para que alguma triunfe, mas, capacita o desenvolvimento pleno em todos os aspectos da existência - e também nos liberta: nos joga num aparente abismo rumo a algum lugar claro, onde possibilidades são mais que uma idéia vaga de imaginação.

Naquela noite, Artur foi apreciar o espetáculo circense que a poucos dias se instalará na cidade. Temia não saber mais como se divertir.
Sentou-se e viu a bela bailarina com seu colã brilhante subir até o trapézio. Será que essa era a vivacidade que faltava para alagar seus dias e seu humor seco? O que fazia alguém escolher fazer todos os dias algo intenso, enquanto ele, estressava-se em prol de algo vazio? Não entendia, temia entender.
É provável que o responsável por isso seja seu temor.
Nos bastidores daquela lona colorida, Arla preparava-se para sua apresentação e constata que o telefonema ao qual tanto esperou, que trouxe coragem ao seu próximo número, foi fruto de um cochilo. Na verdade ninguém a incentivou a arriscar-se
. Mas era uma necessidade implícita naquela trapezista.


Sou inundada com conjuntos de pensamentos e atitudes conectados que me fazem aspirar o saber. Inspirar, expirar, prender a respiração. E buscar uma verdade não para tranquilizar, mas, que em sua totalidade não se submeta ao mundo categóricamente previsível e talvez por isso limitado.

Arla nada via além do trapézio a sua frente e suas mãos ensaiando breves movimentos de dança formando a arte sequencial.
Enquanto isso, com olhos fitando a trapezista ao soltar
a mão do trapézio para depois se apoiar novamente, Artur percebeu que uma vibração fora do normal se expressou. Aqueles braços pareciam não mais alcançar o trapézio.
Espere!
A rede de proteção não estava mais lá!


Tudo é conectado. Somos uma grande rede de idéias, influenciados o tempo todo pelos mais diversos tipos de interação: entre o sensitivo e o racional, o individual e o coletivo. Ação e reação que não se neutralizam, mas que formam forças que se misturam mutuamente.

As luzes não tinham mais o mesmo brilho ofuscante, pareciam mais uma curva perturbadora de um terrível desfecho.
Arla estava caindo.
E cada milésimo de segundo que passara, parecia mais coberto de sentido. Sua coragem deveria ter sido o alimento de cada passo, cada pequeno vôo. Deveria ter sido a garantia de que qualquer obstáculo e tropeço teria fundamento. E que desistir não seria abandonar apenas seu espetáculo, mas sua energia vital. Sua paixão e entusiasmo que alimenta o pensamento. O poder de agir e não cessar nunca o desenvolvimento. De realizar-se, de dar sua marca a vida, de criar o seu destino.
Afinal, o show não pode parar.

Procuro o entendimento que seja mais que uma lanterna onde as pilhas logo acabam, procuro o entendimento que amplie minha visão. Que se submeta ao questionar e ao mudar, e isso faça minha razão aproximar-se do tão real quanto os sonhos. Sonhos que estabelecem uma comunicação entre os sentidos e o esquecido, o consciente e o inconsciente; tudo que for possível, aquilo que julgam impossível. Não por talvez ser capaz de tudo e realizar grandes coisas; mas, pela ambição de ter toda liberdade e capacidade de tentar.

Artur não desprezou a arte dos riscos. Foi embora como se fosse o ator principal de "Dançando na Chuva". Aceitou que para buscar a vida, não tem nada a perder. Que aquilo que causou o fim do espetáculo, e a cara de assustado nos palhaços, manifestou a coragem da verdade. A coragem de antes de dizê-las, pensá-las, de vê-las. De ser lúcido o suficiente para ser sincero em relação a si mesmo, de ver o que se vê e se perguntar o por quê.
Era essa a vivacidade que faltava para alagar sua existência, em tempos de extrema seca da humanidade.


Intento a inscrição de novos valores sobre novas tábuas. E a esse criar-se a si mesmo que dá valor aos atos, atos que só se justificam caso estiverem a serviço de uma verdade. Nada é um só, tão pouco é fragmentado por separações de extremos opostos. Somos, e tudo é uma mistura de conectividades. O pleno significado das coisas é, provavelmente, o resultado de toda esfera de respostas.

Licença vívida

De que me adianta tantas palavras, se sou censurada nas ações? De que me adianta a liberdade de expressão, se não posso viver a licensa poética? De que me adianta tantas letras, tantos fonemas, em meio a tantas regras para usá-los? Por que o poder dita quem pode e quem não pode? E minha solidão parece tão confortável, porém é o grupo sempre mais forte? A sobrevivência me afasta da vida.